Perfil
- Gemma Galgani
- Pedagoga com pós-graduação em Relações Humanas - RH, Publicitária, jornalista com 10 anos de experiência no Jornal O Povo, desenvolveu um arduo trabalho no jornal Expresso do Norte, hoje colunista do Jornal A Folha e sobralense da Gemma.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
VELHO SEMINÁRIO
Como uma enorme interjeição de espanto Interrogas ao céu do teu fadário:E tudo é mudo ao grito funerárioQue parte do teu peito. No entretanto,
Consola...te: Talvez teu largo seio De mil recordações já estava cheio, E os últimos alunos te deixaram
Para museu de tantos, tantos anos De sonhos, ilusões e desenganos De todos quantos já por ti passaram.
Sobral, setembro de 1944.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
SERRANA
És bela, quando ostentas vaidosaO vigor das mangueiras verdejantes, O mar de mel das canas farfalhantes E a seda de suas frechas cor-de-rosa.
A fim de alimentar os teus queridos E de alegrar os corações doridos, Fazes como não vejo a mãe alguma:Moendo para eles, doce e lhana, Do teu quérulo peito cor de cana As fibras, palpitantes, uma a uma.
Sobral, setembro de 1943.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
PADRE ANTÔNIO TOMÁS
Quisera em minha lira então cantar A glória dos poemas que escreveste E o martírio de luz em que viveste Meus passos de novel a clarear.
E por isto, em sinal de gratidão,Já te guardou bem junto ao coração Minha alma sonhadora a que pertences.
Como um vassalo aos pés de rei faustoso Curvo-me, pois, humilde e respeitoso Ao príncipe dos poetas cearenses.
Granja, dezembro de 1940.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
LUXO É RELATIVO
Mas luxo não seja apenas Ter dólar no Exterior, Nem de uísque e de caviar Ser alto consumidor:
Num país de poucas letras Sob o signo do Mobral, Também luxo é ler Virgílio E Homero no originaL..
Sobral, outubro de 1984.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
DEFUNTO POBRE
Nunca mandei, nem desejei mandar... Vivi!Bebi policromias, colhi ritmos...Não faço testamento, faço versos.
Não porque pense em não morrer agora, Porém por já não ter o que legar.a que tinha deixei, de tudo um pouco: Amor, suor, gemidos e canções.
Tenho ainda o meu corpo...Este, entretanto, não sou eu que o deixo: É a vida!E um cadáver não é,Não é bem um legado.
No máximo,Sobejos do que a vida digeriu, Pobres carvões apagadosDe um doce fogo extinto.Não deixo o meu cadáver: ele fica!
É tão belo viver, tão doce a vida, Que nela a dor da morte, Como na Fênix o ovo,É uma só vez, uma única vez.
a corpo morto é dejeção da vida... Que devorem os vermes o meu corpo, .. Não faz mal:Eu o reivindicarei, com juros,Da gordura dos bichos,No dia do juízo universal.
Sobral, 13-04-1962.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
À TERRA GRANJENSE
Quando o sol rasga a bruma da alvorada
Descobre entre perfumes e verdores
Um berço de cortina aurinevada
Coberto por dossel de lindas cores:
É Granja, que nas margens situada
Do rio Coreaú, plena de amores
E de encantos, diz ser a Pátria amada,
Mãe querida que acalma as nossas dores.
Seu seio é para nós o de mãe pura.
Alenta-nos na dor e na amargura
E dá-nos o calor dos ternos ninhos.
Sentimo-nos felizes, berço amado,
Debaixo deste céu sempre azulado,
Cobertos pelo véu dos teus carinhos.
Granja, dezembro de 1940.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
A MUSA DO CARECA
Estaria! Estarei é uma meleca,Uma história sem pai, caolha e coxa, Pois quem já não tem pêlos na cachocha Como é que ainda vai ficar careca?
Agora a testa vai-me até à nuca,E um ar de tolo, uma expressão maluca No meu olhar, quando com espelho cruza...
Dá vontade de rir quando percebo Minha cabeça como um rim sem sebo Filtrando o sangue desta fresca Musa!
Fortaleza, março de 1946.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A HONRA DOS MARIDONOS
Uni-vos
E decidi-vos
A enfeitar a testa aos maridonos Com dois chifres, no mínimo, por mês.
Eles merecem mais.
Porém virtude
É vigiar para evitar excessos.
Abaixo a pretensão de propriedade Sobre a mulher, com rótulo de amor E pública escritura nos cartórios!
Abaixo a tirania do poder
Do homem sobre a mulher
- Mulher-fazenda -
Onde o homem cultiva a própria honra, E em cuja cara está sua vergonha Como o leite nos úberes das vacas, Como o toucinho e a banha nos suínos!
Se alguém quer ser honrado, tenha honra
No próprio proceder, tenha vergonha
Na própria cara, ou não tem honra alguma
Nem direito a ser tido por honrado.
Mulheres do mundo inteiro, Uni-vos
E decidi-vos!
Sobral, janeiro de 1986.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
A DOM LUSTOSA
A cantar minha lira então se apresta O artista modelar da boa prosa Simplicíssima, doce, harmoniosa, Como um terno gorjeio na floresta.
Eu vi em sua face descarnadaA essência humana espiritualizada, Sinal vivo de zelo e fé sincera.
Alguma coisa de genial se expande Naquele vulto, fraco para um grande, Grande demais pra glória que o espera.
Fortaleza, fevereiro de 1946.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Adeus, astro saudoso.
Brancos círio de minha paixão.
Partir, pra nunca mais
Contemplar-te a brilhar na amplidão,
Por certo é doloroso,
É fatal para o meu coração...
Se, contudo, é impossível viver,
Adeus, meigo luar, vou morrer!
Lá daquela mangueira terrível
Que no chão negra sombra projeta
Penderá, daqui a pouco, a tremer
A carcaça infernal de um poeta.
Morrerei! Mas, nas sombras do além,
O eterno repouso hei de ter...
O tormento satânico, eterno,
Da sorte que me deu
Uma negra entidade do inferno?
Mas o homem de alma de aço,
Valoroso e viril, não trepida
Em livrar-se dos laços da vida
Na espiral suicida de um laço.
Tu não vês, Deus do céu, Deus terrível,
Que viver para mim é impossível,
Sem a benção dos ósculos teus?
Adeus, sonhos, adeus, vou partir...
Já que os céus não me querem ouvir,
Para sempre, adeus, sonhos, adeus!
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Que sucesso.
Nos últimos decênios os jumentos,
Dês que o bravo orelhudo a zurros lentos
Vem dos homens os postos ocupando!
Por onde quer que eu vá, vou encontrando
Os teimosos filósofos cinzentos:
Em clubes aos milhares, já aos centos
Em Universidades se formando.
Enchem com garbo praças e avenidas,
E entre os de classes mais evoluídas
Muitos são membros já de Academia.
Há Jumentos doutores, bacharéis
Que se andarem um dia a quatro pés
Merecerão Nobel de Estrebaria.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Que coisa...
Desajeitado e feio como um anum,
Trazendo no espinhaço um jerimum
Com que caduco antes do tempo está!
Acorda muito cedo o macajá,
De madrugada, e com infernal zunzum
Arreia na parede o seu tuntum,
Exercitando pra o fazer baixar.
O triste do chamurro funga e sua,
De novo empina os ombros e recua,
Mas de ficar direito não é capaz.
E fica é cada vez mais indecente:
Os quatros bem chupados para a frente
E a giba arrebitada para trás.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
A um poeta.
Conta-me ao ouvido
As histórias das águas profundas.
Transmite-me, à tua luz de encanto e de magia,
A história das regiões
Que dormem no seio das águas abissais,
A história das regiões que te viram nascer;
Das gupiaras e das pepitas que assistiram
À gestação multimilenar
Do teu carbono puro...
E canta para os meus ouvidos
Famintos de música:
A tua voz é como as vibrações de um cristal.
E brilha para os meus olhos
Sequiosos de policromias:
A tua luz é como perfume de âmbar
Na atmosfera morna dum deserto...
Ó meu diamante negro,
És a luz que as estrelas derramaram
No coração das águas;
A cristalização da luz
Que astros todos irradiaram
Sobre o espelho dos nosso rios caudalosos.
Luz que as entranhas do abismo iam guardando
Com ânsia inominável de avarento.
Paraces um bloco de espessa noite,
Mas és um bloco espesso
De relâmpagos concentrados,
Uma concentração de raios, negra de impaciência,
Pedindo espaços,
Reclamando a amplidão do céu profundo
Para brilhar,
Para deslumbrar,
E abalar o alicerce do mundo!
Ó meu diamante negro,
Canta, ao clarão original de tua luz,
Os grandes pensamentos dos rios
Que vêm de longe;
O desespero das cascatas
Que se quebram de encontro às rochas;
A delicadeza da espuma
Que desdobra os mistérios da luz
No encanto e na magia do arco-íris.
Canta as grandes idéias:
Elas rebatam
Quando são grandes por si mesmas,
Canta as idéias microscópicas:
Elas embriagam
Quando assim nos aparecem na simplicidade nativa.
Canta,
Ó meu diamante negro,
Uma canção
Como o reflexo de um espelho plano,
O reflexo do céu
Nas águas de um lago tranqüilo...
Derrama tua alma sobre o mundo
Como um vaso entornado
Deixa esvair-se a essência de que estava cheio.
Quero ouvir-te falar
Da beleza universal que te possui,
Como nos falariam de ternura
As nossas mães,
Se ainda pudéssemos dormir em seu regaço...
Canta,
Para delícia dos meus ouvidos,
Uma canção
Como o reflexo de um espelho plano...
Assim,
Ó meu diamante negro,
Canta
Sempre e sempre assim.
sábado, 18 de abril de 2009
Canção comunitária.
Como Deus na criação,
Água é do rico e do pobre:
Água de parto ao nascer,
Água de pranto na morte.
Ar – cálix da comunhão
De todo ser que respira:
É o ar do beijo no amor,
É o ar, suspiro, ao morrer.
E o pão – não só, mas pão nosso:
Pão só – é meia palavra,
Pão nosso é que é o nome todo,
Sempre nosso em cada dia,
Vínculo da eterna família,
A eterna comunidade:
Planta – bicho – Humanidade.
Pão só – é mutilação:
Pão é nosso, ou não e pão!
Nosso, como é nossa a vida,
Nossa a luta e a morte nossa.
E, pão nosso, não mais nosso,
Mas tão nosso quanto pão.
O que faz o pão ser nosso
É o toma-lo pra comer.
Não tem dono o pão que amasso:
Antes de usar-se é de todos,
Quando usado é que é de um só.
Não é só o suor do rosto
Que dá o pão que se come:
Também o espasmo da fome
Faz nosso o pão que outro fez.
Porque o pão não é pra ser,
Não é pra ter, nem guardar...
O nosso pão vai voltar
De novo a ser de comer!
E o ar? E a água? Que vejo,
Que ouço na água e no ar?
Vejo sangue? Ouço gemidos?
Escuto a morte passar?
Este ar tão bom, tão de todos,
Será de todos ainda
O cálix de comunhão?
De comunhão, sim, será,
Mas comunhão de violências,
De todas as inclemências,
Que trás a Revolução!
E esta água, ubíqua na vida,
Tão comum, comunitária,
Já não será a cristalina
Água da bilha e da fonte,
Mas água cor do horizonte
Que um pôr-de-sol menstruou.
Esta água comunitária
Continuará a ser de todos,
Mas tingida de encarnado:
Em águas de novos partos,
Em olhos de moribundos...
Com a mesma tinta do pão!
Como Israel no Egito
Só teve lar de homem livre
Quando com sangue marcado,
Assim só conhecerão
Que o pão nosso e nosso pão
Quando o tivermos mudado
Na cor, no cheiro e sabor:
Vermelho, cheirando a fogo,
Molhado, sujo de terra,
Com gosto de morte e guerra,
Pão nosso de lutador!
sábado, 11 de abril de 2009
Terra Cearense.
- Boa terra do meu Ceará,
Onde está a fresca folhagem
Que devia cobrir o esqueleto
De tuas ásperas caatingas?
Para onde foram as verdes franças
Que deviam encher os braços descarnados
De tuas arvores que gemem
E se contorcem de dor
Sob o látego de fogo
Dos ventos e dos redemoinhos?
Porventura negou-se a natureza
O esplendor de verdura e de beleza
Em que vivem as outras regiões,
Orgulhosas de prados e florestas,
Ébrias de amor, perpetuamente em festas?
- Não, meu nobre cantor.
A natureza deu-me ainda muito mais:
Deu-me frescor e deu-me doçura;
Deu água de cristal para as minhas árvores
E nelas colocou frutos de ouro e frutos de rubi
Correndo mel, vazando aroma em ondas ao redor.
Eu era o palácio de Beleza,
A obra-prima, talvez, da Natureza,
Talvez o Paraíso.
E então na verde primavera,
Quando vaidosa ostentava
A floração da acácia e da bonina
E derramava nos cabelos de azeviche
O perfume dos castos amores,
Não havia quem me visse
E de encantado não caísse
Aos meus pés de joelhos.
E foi por isso que me vendo assim, um dia,
Começou o próprio sol a namorar comigo.
E encantado comigo,
Não tirou nunca mais os seus olhos de mim
E ainda, para estar sempre me vendo,
Não consentiu mais
Que as nuvens, como outrora, me cobrissem
E nem, de ciumento, me acariciassem
Com as abundantes e freqüentes chuvas
De outrora.
E nunca, nunca mais deixou de me fitar...
Eu era frágil demais
Para o calor
De seu amor:
Ele devia namorar a lua,
Ou as estrelas que são sóis como ele.
Mas amou-me tanto,
E tanto e tanto se ocupou comigo,
Que até esqueceu as regiões polares
Só para poder me olhar.
E foi daí que os pólos começaram a gelar,
E eu a decair e a definhar.
As minhas árvores murcharam,
As minhas fontes secaram,
Os meus filhos sofreram,
E a flor do meu encanto original
Murchou, caiu, secou, estorricou, pulverizou-se.
E o vento apanhou esse punhado de pó,
Soprou e o levou ao Criador
Que fizera de mim o altar do seu amor.
Fiquei pobre e desolada.
No entanto,
A cegueira do sol era tão grande,
Que nunca mais tirou o olhar do meu semblante.
E foi por isso que eu fiquei assim:
Saudade só,
Saudade, mais do que beleza.
Tenho saudade dos frondosos bosques
Em cujos ramos floridos
Gorjeavam passarinhos.
Hoje, no meio do sertão maninho,
Vejo com mágoa os tristes mocozais
Em cujos pedregulhos frouxos ouço a cada instante
A venerosa cascavel que silva e que chocalha.
Outrora cada prado e cada fonte
Eram ninhos de amor
Donde se evolavam idílios meigos,
E onde passeavam declamando
Os poemas do beijo
Ledos casais de namorados.
Hoje, pelas várzeas poeirentas,
Pelas estradas sangrentas
Que me recortam,
Com fome e sede, escaveirados,
Quase nus,
De vez em quando vão meus pobres filhos,
Pobres flagelados.
Contudo,
Meu povo é heróico e não maldiz.
Ainda há sorrisos, e se ama aqui...
Choveu que seja, ergue altiva a cerviz
E em desafios e toadas,
Ou cantando ao violão modinhas arrastadas
É o povo mais feliz.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Credo Estético.
A sede estética
Da beleza colhida na fonte:
De poemas que surgiram
Como exigências de paz
E de saúde;
De árias que nasceram
Para que antes da hora não morresse
O criador;
De melodias simples,
Suaves, naturais,
Onde há pássaros gorjeando,
Regatos rumorejando,
E brisas ciciando em arrozais.
Eu tenho o coração desidratado,
Assim,
Com a sede estética
Da Simplicidade
De onde vim.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Padre Osvaldo
A poesia é substantiva, vive em si mesma. As outras chamadas belas-artes, porém, não poderiam existir sem ela. A poesia, alma de todas as manifestações artísticas, utiliza a plasticidade de todas as artes: os traços e a policromia da pintura, o ritmo e a melodia da música, o escultural da estatuária, a unidade harmoniosa da arquitetura.“Exiguas” é obra poética no sentido pleno da palavra, porque foi inspirada e estruturada em simbiose perfeita com todas as belas-artes. Em conseqüência, o poeta sente “os olhos sequioso de policromias” e tenta reavivar as cores da “Bandeira Nacional”; pede cantos para seus “ouvidos famintos de música” e emociona – se com a voz dos sinos; diz que em sua pele “arde o desejo de produzir formas esculturais” e canta Francisco de Assis como “escultor existencial”; decifra em Sonho Medieval “a linguagem das ogivas e dos vitrais das grandes catedrais” e o poema mudo das “duas torres magras da Prainha – dois poetas hirtos, absortos no infinito, cismando à beira-mar!”.
Minha apresentação não passa de uma sintomia das reflexões que me vieram à mente, depois de uma rápida leitura intuitiva, e não analítica, dos poemas que compõem esta obra de estréia. O livro de Pe. Osvaldo Carneiro Chaves está a exigir um estudo mais aprofundado, o que espero seja feito pela crítica especializada que certamente prestar-lhe-á a merecida atenção.
De mim, o saúdo como um marco na história da literatura cearense, pois nos coloca na presença de um impressionante poeta que pode estar entre os seus bons artífices do verso.
F. Sadoc de Araújo.
Para: Francisco Sadoc de Araujo.
Dados Biográficos do autor.
1923 – 21 de outubro – Nasce no sítio Angelim, distrito de Sambaiba, município da Granja, Ceará. Filho primogênito de Manuel Chaves Fernandes e Maria Carneiro Chaves, casados a 30 de novembro de 1922.
1924 – Abril – É acometido de poliomielite, com atrofia da perna esquerda.
1929 – Aprende o alfabeto e a soletrar a Carta do ABC, com sua mãe.
1933 – Junho – Lê “Coração”, de Edmondo de Amicis, despertando-lhe o gosto pelas belas-letras.
1935 – Seu pai lhe dá de presente o “Dicionário Prático Ilustrado”, de Jaime de Séguier, obra que passa mais a ler do que simplesmente a consultar, e com grande interesse.
1939 – Matricula-se no Ginásio Lívio Barreto, da Granja, cujo epônimo, poeta da terra, desperta-lhe o gosto pela poesia.
1940 – 8 de fevereiro – Ingressa no Seminário Menor de Sobral.
1941 – O Pe. Antônio Tomás dedica-lhe o soneto “Desencanto”, em resposta a um outro que lhe fora dedicado pelo esperançoso seminarista.
1942 – Aprimora os estudos de língua vernácula e literatura, lendo os poetas e prosadores clássicos. Traduz poemas franceses e éclogas de Virgílio. Reúne seus poemas em forma de livro, a que deu o título de “Heliotrópios”, que não foi publicado.
1945 – Lê a obra de Cassiano Ricardo, o poeta que mais influência exerceu sobre suas criações.
1946 – Fevereiro – Matricula-se no curso de Filosofia do Semionário Maior de Fortaleza.
1948 – Fevereiro – Inicia o curso de Teologia no mesmo Seminário de Fortaleza.
1951 – 8 de dezembro – Na Catedral de Sobral é ordenado sacerdote por Dom José Tupinambá da Frota.
1952 – Inicia o magistério no Seminário de Sobral, como professor de Português, Francês e Música.
1955 – Participa de curso de aperfeiçoamento em Francês com o professor Lucien Brosse, em Fortaleza.
1956 – Exerce as funções de vigário cooperador de Crateús onde leciona em escola secundária.
1957 – Transfere-se para a paróquia de Acaraú. Aí leciona Latim e Inglês.
1959 – É transferido para a paróquia de São Benedito, em cuja Escola Normal leciona Pedagogia, Latim e Francês.
1960 – Junho – Passa a residir definitivamente em Sobral. Retorna ao magistério de Seminário, como mestre de Português, Latim e Grego. Aprofunda-se na leitura dos grandes poetas da literatura universal.
1961 – Inicia o magistério, em nível superior, na Faculdade de Filosofia Dom José, como professor titular de Português e Literatura Luso-brasileira. Aí permaneceu durante treze anos.
1969 – Freqüenta curso de aperfeiçoamento em Língua Portuguesa, na Universidade Federal do Ceará.
1971 – Conclui a Licenciatura em Filosofia Pura, na Universidade Federal do Piauí.
1981 – Aposenta-se por tempo de serviço no magistério: trinta anos.
1984 – Relê os clássicos latinos no poriginal, a começar de Virgílio, Horácio, Ovídio e Cícero.
1985 – Dezembro – Resolve permitir a publicação de suas produções poéticas em livro intitulado “Exíguas”.
Prefácio
Exíguas.
Eu vi surgir no sonho do Universo.
A Beleza perene.
Brilhou para mim no céu a sua estrela.
Maravilhado
Coloquei-me debaixo do seu zênite.
Deslumbramento e embriaguez,
O encanto da sua luz no meu espírito:
Ânsia de traduzir o que senti,
Sonho de comunicar ao mundo
O êxtase que me arrebatou.
Mas foi demais o brilho dessa estrela,
Grande demais o sol
Que me ofuscou os olhos de sonâmbulo.
Acordo e vejo estéreis minhas ânsias,
Vão – todo o esforço de exprimir beleza:
Sonhei ao meio-dia,
E a expressão dos meus sonhos
É pobre como as sombras
Que os mais altos edifícios
Projetam nessas horas.
Era grande o esplendor da beleza que eu vi,
Mas, quanta mágoa:
Mesmo as lembranças do que vi mais belo
São exíguas
Como sombras ao meio-dia.